Saúde psicológica no trabalho pode custar 13,3 mil milhões €/ano às empresas portuguesas

O maior impacto nem sempre está nas faltas
Um dos dados mais relevantes do relatório está relacionado com o presentismo.
Enquanto o absentismo representa uma perda estimada de cerca de 4,4 mil milhões de euros, o presentismo poderá representar aproximadamente 8,9 mil milhões de euros por ano.
Ou seja, uma parte muito significativa do impacto ocorre quando o colaborador está fisicamente presente no trabalho, mas apresenta menor capacidade de concentração, energia ou desempenho.
Novo relatório da Ordem dos Psicólogos Portugueses mostra que o impacto do stress e dos problemas de saúde psicológica vai muito além do absentismo — e coloca a prevenção no centro da gestão das organizações.
A saúde psicológica no trabalho deixou há muito de ser apenas uma questão de bem-estar individual.
Os dados mais recentes da Ordem dos Psicólogos Portugueses mostram que o seu impacto é também económico, organizacional e estratégico.
Segundo a edição de 2026 do relatório "Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações – Relatório do Custo do Stress e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal", o stress e os problemas de saúde psicológica podem representar até 13,3 mil milhões de euros por ano em perda de produtividade nas empresas portuguesas.
A estimativa considera os custos indiretos associados ao absentismo e ao presentismo e aplica-se às empresas não financeiras, não incluindo a Administração Pública.
Este é um fenómeno particularmente difícil de identificar, porque não aparece diretamente nos registos de faltas.
Pode surgir de forma mais silenciosa, através de:
- redução da produtividade;
- aumento de erros;
- menor capacidade de decisão;
- exaustão;
- dificuldade de concentração;
- desmotivação;
- maior vulnerabilidade ao conflito.
Por isso, olhar apenas para o absentismo pode dar às organizações uma visão incompleta da realidade.
40,5 dias de produtividade afetada por trabalhador
O relatório estima, para 2024, cerca de 13,5 dias de absentismo associados ao stress e a problemas de saúde psicológica e aproximadamente 27 dias de presentismo.
Somados, representam 40,5 dias de produtividade potencialmente afetada por trabalhador, por ano.
Este valor não significa que todos os trabalhadores individualmente apresentem exatamente esta perda. Trata-se de uma estimativa agregada utilizada para compreender a dimensão económica e organizacional do problema.
Ainda assim, ajuda a perceber que o impacto dos riscos psicossociais pode desenvolver-se muito antes de surgir uma baixa, uma saída ou uma situação de burnout claramente identificada.
Prevenir pode representar uma poupança significativa
O relatório da Ordem dos Psicólogos Portugueses estima que medidas de prevenção, promoção da saúde psicológica e identificação precoce dos problemas possam reduzir estas perdas de produtividade em pelo menos 30%.
Isso corresponderia a uma poupança próxima de 4 mil milhões de euros por ano para as empresas portuguesas.
A evidência reunida no relatório aponta ainda para um retorno económico relevante do investimento nesta área: alguns estudos referidos pela OPP estimam cerca de 5 euros de retorno por cada euro investido, existindo intervenções cujo retorno estimado ultrapassa os 9 euros por cada euro investido.
Estes dados reforçam uma mudança importante na forma como as organizações devem olhar para a saúde psicológica no trabalho.
De benefício a decisão de gestão
Durante muito tempo, a saúde mental nas empresas foi frequentemente associada a iniciativas pontuais de bem-estar.
Um webinar.
Um workshop.
Uma ação no Dia Mundial da Saúde Mental.
Estas iniciativas podem ser úteis, mas não substituem uma estratégia.
Uma política consistente de Saúde Organizacional começa por perceber o que realmente está a acontecer dentro da organização.
Na ReViVa, trabalhamos esta lógica através de um processo estruturado:
Identificar → Avaliar → Intervir → Desenvolver → Acompanhar.
Isso significa avaliar os riscos psicossociais, identificar as áreas prioritárias, definir medidas adequadas à realidade da organização e acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo.
A própria ReViVa estrutura atualmente a sua abordagem precisamente nessa lógica, combinando avaliação, COPSOQ III, dashboard de RH, intervenção e acompanhamento contínuo.
A pergunta já não é apenas quanto custa investir
Os dados agora divulgados ajudam a alterar a pergunta.
A questão já não é apenas:
"Quanto custa investir em saúde organizacional?"
Passa também a ser:
"Quanto custa não agir?"
Num contexto em que produtividade, retenção de talento, liderança e sustentabilidade estão cada vez mais interligadas, avaliar e prevenir riscos psicossociais é cada vez menos uma ação acessória.
É uma decisão de gestão.
Fonte
Ordem dos Psicólogos Portugueses (2026). Prosperidade e Sustentabilidade das Organizações – Relatório do Custo do Stresse e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal.
